Projetos

27 de agosto de 2026 — Niterói — RJ

Currículo Artistico

Statement

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Investigo o que resta no corpo quando um modo de vida é empurrado para a margem. Fotografo os territórios de pesca artesanal de Itaipu e da região oceânica de Niterói porque é ali que memória, trabalho e paisagem ainda se tocam sem mediação — o gesto de lançar a rede, de puxar o arrasto de praia, de ler o mar antes de sair nele, é ao mesmo tempo trabalho, conhecimento herdado e linguagem do corpo.

Minha fotografia nasce da pesquisa histórica — sou historiador de formação, e passei anos ouvindo, gravando e transcrevendo histórias de pescadores antes de apontar uma câmera para eles — mas não se limita a ilustrar essa pesquisa. A imagem fotográfica faz algo que a transcrição de uma entrevista não faz: fixa o gesto no instante em que ele ainda está sendo transmitido, de um corpo mais velho para um mais novo, de uma geração para a próxima. É nesse ponto de transmissão que trabalho a ideia de "gestualidade": não o gesto como pose, mas o gesto como arquivo vivo, que só existe enquanto alguém o repete.

A história oral entra na minha prática antes da câmera, não depois. É ela que me ensina onde olhar, quem fotografar, o que uma imagem precisa carregar para não trair a pessoa retratada. O arquivo aparece na obra de duas formas: como acervo — o Acervo Audiovisual dos Maretórios, que coordeno desde 2017, reúne centenas de entrevistas, vídeos e fotografias produzidos com as comunidades — e como gesto interno de cada fotografia, que já nasce pensando em sua permanência, em sua capacidade de ser consultada e usada pelas próprias comunidades retratadas.

Minha formação como historiador me dá o rigor de não simplificar: uma comunidade pesqueira não é só resistência nem só desaparecimento, ela negocia, se adapta, perde e reinventa. É por isso que minha fotografia ultrapassa o caráter puramente documental — ela não quer apenas registrar um "antes de desaparecer", quer também mostrar o que permanece, o que se recria, o que ainda está em disputa. As questões contemporâneas que minha obra apresenta são as da própria costa brasileira hoje: expansão urbana e especulação imobiliária avançando sobre territórios tradicionais, mudanças climáticas alterando o litoral e a pesca, e o risco real de que um patrimônio cultural inteiro — de gestos, palavras e saberes — desapareça sem nunca ter sido registrado.

PERFIL

Ademas da Costa é fotógrafo, pesquisador e artista visual. Sua prática articula fotografia documental e autoral, memória, história oral e investigação territorial, com foco nas comunidades de pesca artesanal da região oceânica de Niterói (RJ), particularmente Itaipu.

FORMAÇÃO

  • Mestre em História Social — Universidade Federal Fluminense (UFF), 2023
  • Graduado em História — Universidade Federal Fluminense (UFF), 2019
  • Fotografia Fundamental — Sociedade Fluminense de Fotografia (SFF), 2023

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

  • 2026 - OMAREAIMAGEM - Oficina de Arte dos Pescadores - ACANOA

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

  • 2023 — Inventário de Gestualidades da Pesca — Labome, UVA
  • 2023 — Inventário de Gestualidades da Pesca — Auditório Fausto Castilho
  • 2023 — Inventário de Gestualidades da Pesca — Centro de Artes, UFF
  • 2023 — "O Ancestral" — Mostra Olhares sobre o Patrimônio Fluminense, Semana Fluminense do Patrimônio
  • 2024 — Coletiva "Diálogos da Terra" — 13º Festival de Fotografia de Tiradentes, Largo das Forras, Tiradentes/MG

FESTIVAIS

  • 2024 — 13º Festival de Fotografia de Tiradentes (selecionado, convocatória "Diálogos da terra")
  • 2024 — Festival de Paranapiacaba (pré-seleção)

PRÊMIOS

  • 2023 — Prêmio Olhares sobre o Patrimônio Fluminense — 1º lugar Júri Técnico e 1º lugar Voto Popular, obra "O Ancestral"
  • 2023 — Prêmio Arte Pública — categoria Fotografia, Arte Pública Cerâmica (Itaipu)
  • 2023 — Prêmio Arte e Ciência UFF — 450 Anos de Niterói
  • 2025 — Semana Fluminense do Patrimônio, Júri Técnico