Fotógrafo e pesquisador
Fotografia, memória e território a partir das comunidades costeiras do litoral fluminense.
Investigo o que resta no corpo quando um modo de vida é empurrado para a margem. Fotografo os territórios de pesca artesanal de Itaipu e da região oceânica de Niterói porque é ali que memória, trabalho e paisagem ainda se tocam sem mediação — o gesto de lançar a rede, de puxar o arrasto de praia, de ler o mar antes de sair nele, é ao mesmo tempo trabalho, conhecimento herdado e linguagem do corpo.
Biografia
Ademas da Costa é fotógrafo, pesquisador e artista visual baseado em Niterói (RJ), cuja obra é fundamentada em pesquisa histórica, memória, história oral e investigação territorial. Desde 2015, sua trajetória se organiza em torno de um mesmo território e de uma mesma pergunta: como os gestos da pesca artesanal — o arrasto de praia, o preparo das redes, o trato com o mar — carregam e transmitem memória, patrimônio e identidade em comunidades tradicionais em transformação acelerada pela expansão urbana.
Formado e mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com dissertação sobre os sentidos da expansão urbana de Niterói para os pescadores artesanais de Itaipu, Ademas é pesquisador associado ao Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI-UFF) desde 2017, e também vinculado ao POLIS-UFF e ao Laboratório Imagem, Memória, Arte e Metrópole (IMAM-UFRJ). Mas sua fotografia não ilustra essa pesquisa: nasce dela e ultrapassa seus limites. Em 2023, a série "O Ancestral" — primeira edição de seu Inventário de Gestualidades da Pesca — foi eleita, simultaneamente, pelo Júri Técnico e pelo Voto Popular da Mostra Olhares sobre o Patrimônio Fluminense, e Ademas recebeu ainda o Prêmio Arte Pública (categoria Fotografia), cedêndo suas fotografias para um painel de fotocerâmica instalado permanentemente na praia de Itaipu, e o Prêmio Arte e Ciência UFF, pelo melhor trabalho realizado na UFF na comemoração de 450 anos de Niterói.
Em 2024, seu trabalho foi selecionado para integrar a coletiva "Diálogos da Terra", exibida em projeção pública no 13º Festival de Fotografia de Tiradentes (MG), consolidando sua presença no circuito nacional de fotografia. Paralelamente, Ademas é idealizador e coordenador geral de pesquisa do Acervo Audiovisual dos Maretórios (AAM), projeto financiado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Lei Paulo Gustavo/Ministério da Cultura), que reúne mais de 500 itens — vídeos, entrevistas, fotografias e documentos — produzidos com as comunidades de pesca de Niterói desde 2017. Em 2025, publicou o Guia Prático: Ações Pró-Memória em Territórios da Pesca Artesanal, ferramenta voltada a pescadores, educadores e pesquisadores para a documentação e salvaguarda de saberes tradicionais.
Ademas atua também na esfera institucional, como suplente na Câmara Setorial de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Conselho Municipal de Política Cultural de Niterói. Sua obra articula, em uma única prática, o arquivo, o corpo e a paisagem costeira — propondo a fotografia não como registro do que desaparece, mas como instrumento ativo de permanência e transmissão.
